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CAMINHOS E ABORDAGENS

 
CRÍTICA FEMINISTA, OS ESTUDOS DA MULHER E DE GÊNERO
 
A proposta de uma nova historiografia no campo da poética das vozes – cantoria e folheto – a partir da presença e contribuição da mulher, não se poderia aprofundar sem adentrar nas questões de gênero. O papel fundamental do GT Mulher e Literatura da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística, ANPOLL, provocou nos quase 35 anos da sua existência uma mudança radical na visão convencional da literatura brasileira e do seu cânone, graças a um trabalho intensivo de transgressão, subversão e descentramento do paradigma convencional dos estudos de Letras. Concernente aos estudos voltados para a poética das mulheres cantadoras e autoras de cordel, poucas foram as contribuições, embora esses estudos tenham sido fundamentais para elucidar o teor e as consequências do discurso oficial sobre o campo do cordel e da cantoria como sendo territórios exclusivamente masculinos. Um dos grandes pesquisadores do folheto, Joseph Luyten, afirma em um dos seus artigos: “Se os autores, por uma razão ou por outra, não conseguiram citar uma só autora, uma só trovadora, é que realmente o ‘sexo fraco’ não se interessa pelo cancioneiro nordestino” (LUYTEN, 2003, p. 146). A citação demonstra a postura do pesquisador em relação à questão feminina. Não somente nega a existência de uma produção poética de mulheres, como transfere para elas a responsabilidade de não haver, na historiografia, referências sobre suas poesias. Estes são alguns exemplos que exemplificam uma ordem de discursos que não reconhecem e até contestam a existência de mulheres cantadoras e trovadoras, até caírem nas piores contradições. No mesmo artigo, e algumas páginas depois, o mesmo pesquisador refere-se à cantadora Maria do Riachão.